Médica alerta sobre sintomas e perigos de herpes zoster
Postado em: 28 de Agosto de 2025 por Rotary Club de Cascavel-União
Convidada especial da reunião ordinária desta quinta-feira (28) no Rotary Club Cascavel-União, a médica infectologista Dra. Carla Sakuma falou sobre herpes zoster, destacando os perigos do vírus que pode levar a quadros graves.
Herpes zoster é uma infecção viral causada pela reativação do vírus varicela-zoster (VVZ), o mesmo vírus que causa a catapora (varicela). Segundo a médica, em crianças, o vírus tende a ser benigno sem grandes complicações. O problema é quando ocorre a reativação do vírus em adultos, especialmente após os 60 anos e pessoas imunodeprimidas, com doenças como câncer, diabetes, dentre outras.
Isso porque, após a recuperação da catapora, o vírus não é eliminado do corpo. Em vez disso, ele migra para aglomerados de células nervosas próximos à medula espinhal e ao cérebro, onde entra e fica "adormecido”.
Anos ou décadas depois, o vírus pode se reativar. Quando isso acontece, ele se desloca ao longo dos nervos até a pele, causando a erupção dolorosa característica de herpes zoster.
Fatores de risco
A reativação do vírus está fortemente ligada à queda na imunidade específica contra o VVZ. Os principais fatores de risco são:
- Idade: É mais comum em pessoas com mais de 50 anos e naqueles com sistema imunológico enfraquecido, pois a imunidade contra o vírus diminui com o tempo.
- Sistema Imunológico Comprometido: Pessoas em tratamento para câncer (quimio/radioterapia), transplantados, portadores de HIV/Aids ou em uso de medicamentos imunossupressores (como corticoides em alta dose).
- Estresse físico ou emocional extremo.
- Doenças crônicas que debilitam o organismo.
Sintomas característicos
A Dra. Carla apresentou imagens de pessoas com o vírus ativo, para alertar sobre os sintomas característicos de herpes zoster. Uma das curiosidades é que, geralmente, afetam apenas um lado do corpo.
Além da erupção cutânea, com as chamadas vesículas (bolhas vermelhas cheias de líquido), os pacientes relatam muita dor, queimação, formigamento ou coceira em uma área específica da pele (geralmente em faixa ou banda); mal-estar, dor de cabeça, febre baixa e calafrios.
As erupções costumam aparecer mais no tronco, mas também há casos de pacientes afetados no rosto, nos olhos, na boca e nos ouvidos, podendo até mesmo causar paralisia facial ou comprometer a visão.
Complicações
Herpes zoster pode levar a complicações sérias:
- Neuralgia Pós-Herpética (NPH): É a complicação mais comum. É uma dor crônica que persiste no local da erupção mesmo após a cicatrização das bolhas. A dor pode ser intensa e debilitante, durando meses ou até anos. O risco aumenta com a idade.
- Comprometimento Ocular (Zoster Oftálmico): Se o vírus afeta o nervo que vai para o olho, pode causar dor ocular, vermelhidão, inflamação e até levar à perda de visão permanente.
- Síndrome de Ramsay Hunt: Ocorre quando o zoster afeta nervos do rosto próximos ao ouvido, podendo causar paralisia facial, perda auditiva e tontura.
- Infecções Bacterianas da Pele: Nas bolhas rompidas.
- Problemas Neurológicos: Encefalite (inflamação do cérebro), meningite ou paralisia motora, embora sejam raros.
Tratamento
Não há cura, mas o tratamento pode acelerar a recuperação e reduzir o risco de complicações. Quanto antes houver o diagnóstico e iniciar o tratamento, maiores as chances de eficácia. É importante sempre consultar um médico especialista, pois a indicação e a dosagem são personalizadas.
Antivirais: Medicamentos como aciclovir, valaciclovir ou famciclovir são mais eficazes quando iniciados nas primeiras 72 horas após o aparecimento da erupção. Eles ajudam a encurtar a duração da doença e a intensidade dos sintomas.
Analgésicos: Para controlar a dor, que pode variar de anti-inflamatórios comuns a medicamentos mais fortes, como opioides.
Cuidados Tópicos: Compressas úmidas e frias, loções de calamina ou antitússicos tópicos podem aliviar a coceira e o desconforto.
O tratamento da neuralgia pós-herpética é mais complexo e pode envolver anticonvulsivantes, antidepressivos ou adesivos anestésicos.
Prevenção
Vacinação: A forma mais eficaz de prevenção.
Vacina contra Zoster (Shingrix ou Zostavax): Recomendada para adultos com mais de 50 anos e para aqueles com mais de 19 anos que têm imunossupressão. É altamente eficaz na prevenção de herpes zoster e, principalmente, da neuralgia pós-herpética.
Vacina contra Catapora (Varicela): Evitar a infecção primária pelo VVZ também previne o zoster no futuro.
A médica Dra. Carla Sakuma concluiu a palestra reforçando a importância de procurar um médico especialista a qualquer sintoma ou suspeita do vírus, para evitar possível complicação.
Quem é Dra. Carla Sakuma ?
Médica infectologista no Hospital Universitario do Oeste do Paraná, no Hospital Uopeccan e no Hospital de Retaguarda de Cascavel
Doutora em Medicina Interna pela UFPR
Docente dos curso de Medicina da Unioeste e da Univel






