Club de
Cascavel-União

Setembro Amarelo: Como enfrentar o “Bicho de Sete Cabeças” da saúde mental

Postado em: 18 de Setembro de 2025 por Rotary Club de Cascavel-União

Governador Wilson e presidente Fabiano entregam o certificado em agradecimento à Dra. Daiana Fistarol

Na quinta-feira (18), o Rotary Club Cascavel-União teve a honra de receber a ilustre palestrante Dra. Daiana Fistarol, médica psiquiatra, para uma conversa profundamente necessária sobre Setembro Amarelo. Filha do companheiro Wilson Fistarol, do Rotary Club Cascavel Integração, a Dra. Daiana se formou pela FAG de Cascavel e se especializou em psiquiatria com residência no Hospital Padre Germano Lauk, em Foz do Iguaçu.

A palestra “Possíveis caminhos para enfrentar esse bicho de sete cabeças” começou com uma analogia poderosa baseada na mitologia grega. Na história da Hidra de Lerna, Hércules teve de enfrentar um monstro de sete cabeças. A cada cabeça cortada, duas nasciam em seu lugar. A solução foi cortá-las pela raiz e cauterizar a ferida. Essa metáfora ilustra perfeitamente a luta pela saúde mental: é preciso enfrentar as dificuldades de forma correta e profunda, evitando que os problemas se multipliquem.

A Dra. Daiana iniciou sua explanação lembrando a definição de saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS): um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença. Isso significa desenvolver habilidades, lidar com o estresse, trabalhar de forma produtiva e contribuir com a comunidade.

Emoções e sentimentos: Nossos aliados, não inimigos

A psiquiatra explicou a diferença técnica entre emoção (uma resposta rápida a um gatilho) e sentimento (uma elaboração mais prolongada). O mais importante, destacou, é entender que é normal sentir toda a gama de emoções, da raiva e tristeza à alegria e alívio. O problema não é sentir, mas quando essas emoções trazem repercussões negativas e prolongadas na vida. Elas são sinalizadoras importantes, um instinto de sobrevivência que nos indica quando algo não vai bem.

Os seis pilares para manter a saúde mental

Antes de abordar questões mais profundas, a Dra. Daiana apresentou os pilares da chamada “medicina do estilo de vida”, fundamentais para a manutenção da saúde mental:

1 - Sono de qualidade: Priorizar um descanso reparador, descobrindo a quantidade de horas ideal para acordar revigorado.

2 - Atividade Física (Terapia Corporal): Encontrar uma prática prazerosa – seja caminhada, natação ou academia – e persistir por pelo menos seis meses para criar um relacionamento saudável com o exercício.

3 - Evitar substâncias nocivas: Reduzir a exposição a toxinas, incluindo álcool em excesso, para ajudar o corpo a se desintoxicar naturalmente.

4 - Alimentação saudável: Consumir alimentos que sirvam de substrato para a produção de neurotransmissores, fundamentais para o equilíbrio mental. “Não dá para viver só de coxinha”, brincou a doutora.

5 - Relações saudáveis: Apesar dos desafios, investir em conexões sociais é vital, pois somos seres colaborativos por natureza.

6 - Manejo do estresse: Desenvolver autoconhecimento para identificar o que funciona como válvula de escape - seja arte, música, meditação, escrita ou psicoterapia.

 

Quando a tristeza deixa de ser normal? Reconhecendo os sinais

A palestra então abordou a linha tênue entre o sofrimento natural da vida e o adoecimento mental. A Dra. Daiana alertou que a depressão, muitas vezes, não se manifesta como tristeza profunda, mas como apatia, desânimo, cansaço existencial e perda de interesse em atividades antes prazerosas. Outros sinais de alerta são:

  • Isolamento social.
  • Descuidado com a higiene pessoal.
  • Alterações no apetite, peso e sono.
  • Irritabilidade e sentimentos de inutilidade.
  • Desesperança e pensamentos de morte.

 O transtorno mental se caracteriza quando esses sintomas são intensos, duradouros e afetam várias áreas da vida (trabalho, relacionamentos, vida social).

 Setembro Amarelo: Como ajudar?

Cerca de 90% dos casos de suicídio estão associados a um adoecimento mental prévio e a maioria das pessoas emite sinais de alerta. A Dra. Daiana deu diretrizes importantes sobre como agir ao perceber que alguém próximo está em sofrimento:

Ouça sem julgamentos: Mostre-se presente e disponível para escutar.

Pergunte diretamente: Questionar sobre pensamentos suicidas não induz o ato; pelo contrário, abre espaço para a pessoa desabafar.

Não guarde segredo: Conduza a pessoa a buscar ajuda profissional (médico, psicólogo, psiquiatra) e comunique um familiar.

Não desafie ou minimize: Frases como “isso é frescura” são extremamente perigosas.

Remova meios potencialmente letais, como armas ou medicamentos em excesso.

 

Tratamento e caminho de recuperação

Para enfrentar o “bicho de sete cabeças” do adoecimento mental, a Dra. Daiana reforçou a importância de um tratamento multiprofissional. A combinação de psicoterapia (para identificar causas e desenvolver recursos emocionais) e medicação (que age na neuroplasticidade cerebral, facilitando a recuperação) é a mais indicada. “Os remédios, sozinhos, não resolvem, mas, em muitos casos, são necessários para que o cérebro fique ‘maleável’ o suficiente para responder à psicoterapia”, explicou.

Para encerrar, a psiquiatra citou uma reflexão profunda: o suicídio é um grande engano, pois a pessoa quer, simbolicamente, “matar” uma dor interna, não a vida em si.

Na cultura atual, que busca soluções imediatas, a reflexão e o autoconhecimento saíram de moda. Mas não existem atalhos! O caminho para a saúde mental é olhar para dentro, aceitar as emoções e enfrentar os problemas pela raiz, lembrando sempre da Hidra de Lerna: soluções superficiais só fazem os problemas se multiplicarem.

O Rotary Club Cascavel-União agradece profundamente à Dra. Daiana Fistarol por compartilhar seu conhecimento e expertise de forma tão clara e humana, reforçando nosso compromisso com o bem-estar integral de nossa comunidade.

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